Saiba mais a respeito de cada álbum, veja a lista das músicas de cada um e ouça o trabalho de Pepeu Gonçalves.

Jeitão de Gaúcho

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O CD JEITÃO DE GAÚCHO, é uma produção independente que traz grandes autores do Rio Grande do Sul mesclados com a alegria e a interpretação do artista. Gravado no período de fevereiro de 2014 no Estúdio Oscar Gravações, traz muitos temas inéditos e parcerias com amigos e artistas consagrados. O disco tem a produção musical de LEONARDO PINHO, e as participações especiais de MARCELLO CAMINHA E JOÃO SARTUNE.

01 - Ah! Meu Rio Grande!

Letra: Felipe Araújo
Musica: Pepeu Gonçalves

Eu trago sangue crioulo
O meu gateado também
Seguimos no mesmo campo
Cuidando o gado de alguém,
Tenteando uns cobre mais forte
Melhora dos dias que vêm;

Pra quem madruga estrivado
O dia empeça mais cedo
Buçal destino campeiro
Recorrrendo fundo de campo
De parceiro, os "cusco oveiro"
E um velho cabelos brancos

Ah! Meu Rio Grande
Destas tantas invernadas
Do berro grosso de touro
Dos fletes baios e mouros
Das marcas lavradas no couro
Sobre a anca da manada

Ah! Meu Rio Grande
Querência minha e de Deus
Das estâncias bem povoadas
Da peonada bem montada
Em crioulos de cola atada
Querência minha e dos meus

Cosa linda, meu Patrício
Repontar o gado pampa
Repassar grota e restinga
Várzea larga, e corredor
Batendo espora e cincerro
Nos flecos do tirador

No campo tudo é peleia
Toda hora, o tempo inteiro
Cai a tarde,volto "às casa"
Cevo um mate, "guardo as garra"
E sigo cantando milonga
Ao compasso da guitarra.

02 - Bamo Batê Pata

Letra: Jorge Freitas e Hique Barbosa
Música: Jorge Freitas

VENHO BATENDO QUE NEM MARTELO EM BIGORNA
PINGO NA FORMA JUNTO AS TÁBOAS DA MANGUEIRA
TÔ TRABALHANDO QUE NEM CACHAÇO EMPRESTADO
NUM FERRO BRABO DE DÁ INVEJA Á ¨BAREJEIRA¨

FAZ TRINTA DIAS, QUE VENHO DE SOL A SOL,
LIDANDO C'AO CAVALHADA, Á ESPORA, GRITO E SOITERA,
AS MINHAS PERNA, EMCAMBOTADA DE SAUDADE
E A ¨PARMA¨ DOS ¨Pɨ SE COÇANDO PRÁ VANEIRA.

MORENA, MORENA
MORENA HOJE BAMO BATÊ PATA
MORENA, AI...MORENA,
JURO POR DEUS QUE HOJE TU NÃO ME ESCAPA.

MEIO DE DONO ABRI CANCHA NO FANDANGO
MIRANDO A LINDA, QUE ERA A DONA DA FESTANÇA
MINHAS ¨VIRIA¨ RETOÇANDO E SE COÇANDO
BOMBEEI A COPA PRÁ FIRMÁ O PASSO DA DANÇA.

NÃO DEU DOIS ¨GOLE¨ E PERDI ESSA CARREIRA
VI A MORENA COM OUTRO, COSTURANDO NA VANEIRA
NÃO QUER, AMOR, SÓ QUER A VERBA DO CAMPEIRO,
SEM FUNDAMENTO...FOI LINDA MINHA ¨BORRACHEIRA¨

TORENA, TORENA
TORENA, HOJE TE PERDI PRÁ PLATA
MORENA, AI MORENA
JUNTO MAIS TROCO E NOUTRO BAILE TU TE RETRATA.

03 - Em Cada Nova Recolhida

Letra: Rodrigo Bauer
Música: Marcello Caminha

Éguas gateadas bem formadas na mangueira
a recolhida veio cedo da invernada
e a melodia das esporas cantadeiras
vai acendendo o que restou da madrugada

A cuia guarda os meus segredos mal dormidos
junto à chaleira ao pé do fogo recostada
e o mate sonha nos meus sonhos distraidos
quando se deixa com a erva já lavada

Sobre os arreios meu viver se perpetua
e enchergo a alma da querência galponeira
num joão-barreiro que chegou há muitas luas
e ergueu seu rancho no palanque da porteira

Talvez por isso em cada nova recolhida
dentre a mangueira neste velho ritual
junto comigo no tenteio desta lida
sinto o Rio Grande agarradito no buçal

Quando o rebanho vem na dobra da coxilha
trazendo os velos invernais para a estação
mal comparando vejo nuvens andarilhas
que se perderam do horizonte para o chão

E o céu campeiro que acordou meio nublado
sangrando o dia para as luzes do arrebol
em pouco tempo foi ficando pelechado
e abriu porteiras para o vento e para o sol

A vaca esconde a cria nova na macega
e eu vejo a vida que renasce no capim
o atavismo que não morre e não se entrega
num touro pampa afiando a guampa num cupim

04 - Jeitão de Gaúcho

Letra: Paulinho Mixaria
Música: Pepeu Gonçalves

Eu posso perder minha força nos braços,
Eu posso perder a beleza da face,
Eu posso perder a firmeza do passo,
Eu posso perder a elegância e a classe,
Eu posso perder minha roça pro mato,
Eu posso perder a corrida da lebre,
Eu posso perder a paciência num ato,
Mas no gauchismo não há quem me quebre.

Posso perder tudo, nem morto eu não mudo,
Também não me iludo, com glória e com luxo,
Enquanto eu viver, eu não posso perder
É o sotaque de tchê e o jeitão de gaúcho

Eu posso perder essa paz que eu carrego,
Eu posso perder os trocados que eu tenho,
Eu posso perder a vaidade e o ego,
Quem sabe até perca o meu bom desempenho,
Eu posso perder os meus fiapos na cerca,
Eu posso perder o juízo no trago,
Mas peço pra Deus não permita que eu perca,
Esta honra gaúcha e o amor pelo pago.

05 - Mais Um de Bombacha

DIONÍSIO COSTA - PEPEU GONÇALVES

SÓ POR EU JÁ TER VIVIDO
UMA "SENHORA" QUANTIA
TENHO A SAGRADA MANIA
DE "OPINÁ" E "PENSÁ" SOLITO
É ASSIM QUE EU ME RESOLVO
E TAMBÉM ME DETERMINO
AMARRANDO O MEU DESTINO
NAQUILO QUE EU ACREDITO

NÃO LEVO A MINHA EXISTÊNCIA
CABRESTEADA POR DISCURSO
TAMBÉM NÃO ENTRO EM CONCURSO
DE DANÇA OU LIDA CAMPEIRA
DISPENSO REGULAMENTO
PRA LIDAR CO'A CAVALHADA
E DANÇO COMO ME AGRADA
SEM PRECISAR DE CARTEIRA

NÃO PRECISO ASSINATURA
PRA ABONAR MEUS IDEAIS
PORQUE OS MEUS ANCESTRAIS
PELEARAM POR LIBERDADE
EU SOU MAIS UM DE BOMBACHA
MAS NINGUÉM PENSA POR MIM
LIBERTO, PRA O MUNDO EU VIM
E ESSA É MI'A IDENTIDADE

EU VIVO UM DIA POR VEZ
CONFORME PERMITE A VIDA
QUANDO FAÇO A MINHA LIDA
NÃO TÔ ESPERANDO TROFÉU
REFUGO PROSA ENSAIADA
PREFIRO O MATE QUE INTEGRA
PRA VIDA COM MUITA REGRA
EU NÃO RETIRO O CHAPÉU

NA MINHA SIMPLICIDADE
EU SEI DE ALGUÉM QUE REPARA
MAS CONSERVO A MESMA CARA
PRAS AMIZADES QUE EU TENHO
QUANDO O PERIGO ME RONDA
EU NÃO "AJUNTO" OS "TAMANCO"
E CONSERVO O MESMO TRANCO
QUANDO VOU E QUANDO VENHO

06 - Meu Aba Larga

Letra: Léo Ribeiro
Música: Pepeu Gonçalves

Todo gaúcho campeiro
tem como extensão do corpo
uma faca e um sombreiro
(tira- teima e chapéu torto).
Se hay coisa que me faz falta,
para acomodar as crinas,
é um "serrano" copa alta
aba quebrada pra cima.

O chapéu é a identidade
e nos diz quem é o homem,
estampa de liberdade,
vale mais que um sobrenome.
Nesta existência bendita
só retiro o meu chapéu
pr'alguma prenda bonita
e pro Patrão lá do céu.

Se trago o chapéu tapeado
de "beijá" santo em parede
vai ter festa no povoado
onde eu danço e mato a sede
Mas quando minh' aba eu puxo
I' escondo os olhos vermelhos
não mexam co' este gaúcho
pois pode cantar meu relho.

Já tive um chapéu de palha
nos meus tempos de biriba,
levando tropas e tralhas,
campo a fora e serra arriba.
Na vida dei muito murro
e andejei pra todo lado
c'um chapéu pança-de-burro
e um chiripá de riscado

Meu aba-larga fraterno
foi meu rancho e proteção,
nas chuvas frias de inverno
ou mormaços de verão.
Parceiraço das lonjuras,
sabedor dos meus segredos,
quando eu partir pras alturas
tu vai junto entre os meus dedos.

07 - Na Estopa do Avental

Letra: Felipe Araújo
Música: Pepeu Gonçalves

O REBANHO TA FECHADO
TESOURA AFIADA NA PEDRA
COM FIO LAMBIDO NA CHAIRA
UM LIGAR BEM ESTAQUEADO
PRA ESQUILÁ BEM ARRUMADO
E SEPARAR A LÃ DAS GARRA
O CALORÃO DE NOVEMBRO
DERRETE A GRAXA DA LÃ
NA ESTOPA DO AVENTAL
UMA VAI E OUTRA VEM
JÁ SE FORAM MAIS DE CEM
AGARRA OUTRA JUVENAL

UMA SEMANA DE ESQUILA
TIAC, TIAC, DE TESOURA
NA COMPARSA DO RINCÃO
NO FIM DO MÊS FORRO A GUAIACA
ME TAPO DE LÃ E PRATA
NO BOLICHO DO CIMIÃO

SEMPRE TEM UM LOTE PRETO
PRA SINUELO OU BACHEIRO
PRO PELEGO DOS ARREIOS
OS DE "TRÊS ANO" SE APARTA
JÁ SOBROU CARVÃO NA LATA
PENDURA UM GURI CAMPEIRO
NO BATE, BATE DO MARTELO
DESCERAM SEICENTOS VELOS
DAS OVELHAS DO TIO LUIS
ANO QUE VEM DOBRA O REBANHO
NUM LOTE DE SOBRE-ANO
NA ESTÂNCIA DOS QUATIS

08 - Quando se Vai um Cavalo

Letra: Felipe Araújo
Musica: Leonardo Pinho

NO MEIO DO CAMPO LARGO
ESTÁ PLANTADO UM AMIGO
PARCEIRO DAS CAMPEREADAS
DE CONFIANÇA E MUITA FÉ
UM IRMÃO DOS ARREIOS
QUE JAMAIS DEIXOU-ME DE A PÉ

SÃO POUCAS AS PALAVRAS
PRA CONTAR MINHA SAUDADE
PELOS DIAS VÃO-SE OS ANOS
QUE O TEMPO SEM PIEDADE
POR SOBERANO APARTA
UM CENTAURO PELA METADE

QUANDO SE VAI UM CAVALO
SILENCIA O GALPÃO
NENHUM É IGUAL AO OUTRO
MAS OS DOIS TEM DEVOÇÃO
FICAM ARREIOS SOLITOS
QUANDO SE APARTAM IRMÃOS

MEUS OLHOS ESTÃO NUBLADOS
E MINHA ALMA TRANPÔS O SOL
QUEM SABE DEPOIS DAS LUAS
DE FRONTE AO GALPÃO DE INVERNO
ENCILHE O MESMO CAVALO
PRA SER CENTAURO NO ETERNO

AINDA ASSIM TEREI SAUDADE
DE CURÁ GADO BICHADO
BOTANDO DE TODA CORDA
NAS ASPAS DUM MAL COSTEADO
MEU LAÇO DE BOI BRASINO
CINCHANDO NO MEU GATEADO

QUANDO SE VAI UM CAVALO
SILENCIA O GALPÃO
NENHUM É IGUAL AO OUTRO
MAS OS DOIS TEM DEVOÇÃO
FICAM ARREIOS SOLITOS
QUANDO SE APARTAM IRMÃOS

QUANDO SE VAI UM CAVALO
VAI UM PEDAÇO DA EXISTÊNCIA
SEGUE UM SEM SEM O OUTRO
APARTADOS DE QUERÊNCIA
SAUDADES E SONHOS VIVOS
EM PUNHADOS DE AUSÊNCIA.

"POR IRMÃOS JAMAIS SE APARTAM" JUNHO DE 2007
VERSOS: FELIPE ARAÚJO

09 - Querência Vazia

Letra:Léo Ribeiro
Música: João Sartune

A brisa que abana o pala é aquela mesma
Que foi repontar aguadas no chovedor
Meu zaino apura o passo rumando o rancho
Na pressa de quem retorna pro seu amor
Não sabe que mi'a querência está vazia
Que não apeio no campo pra levar flor,
Que a espera com mate pronto e o beijo doce
É muito pra lida rude de um domador.

Por isso é que saio a esmo, taureando o frio,
Levando o meu carinho prestas paisanas
E mesmo sempre rodeado nos rancherios
Eu lembro dos verdes olhos da mia serrana.

As coplas que vou cantando no corredor
Emponcham velhos recuerdos de um tempo lindo
Depois de levar uns grampos pro alambrador
Me vou preparar as pilchas preste domingo
Meu deus como fica triste esse tal outono
Quando a gente repara que está solito
As noites ficam compridas pra pouco sono
E o dia vem carregado no seu tranquito

Eu hoje estava pensando em dar um rumo
Na função de quebrar queixo a vida inteira
Talvez eu arrume uns pilas sem me judiar
Chibeando pelas barrancas lá da fronteira
Qual nada pois se nasci pra ventania
Vou morrer dobrando as copas dos pinheirais
E se hoje a minha querência está vazia
Quem sabe daqui a pouquito não esteja mais.

10 - Romance da Gordinha

Letra e Musica: Leonardo Pinho

Um dia desses passando pelo povoado
De pingo bem encilhado
Vi uma moça na porta
Sorriso lindo de "oreia a oreia"
Mas tava de boca cheia
Mascando uma bergamota
Vergonhosa, foi limpando sua queixada
Meteu um palito na arcada
Dentadura de potranca
De pronto vi que ia ser boa parideira
Com "dois palmo" de peiteira
E metro e meio de anca

Te falo em china que é buena de panela
A bóia eu deixo com ela
Deus me deu este regalo
Só me preocupo com o gasto da comida
Essa "muié" desgranida
Come mais que o meu cavalo

Fui chegando e mostrando minha intenção
Vem comigo pro rincão
Que eu não te deixo passar fome
Tua cozinha vai ser mais que um refeitório
Vamos logo pro cartório
Vou te passar pro meu nome
Na estrada vi como ela caminhava
Os "ubre" saculejava
O vestido mexia inteiro
Descobri que era bem solta das pata
Andadura trancão de vaca
E um trote veio chasqueiro

Te falo em china que é buena de panela.....

Andou dizendo que sonhava emagrecer
Eu não entendi porquê
Ela queria adelgaça
Boiava pouco que chegava a dar pena
Mas deu dois dia e a pequena
Voltou a comer de pá !!!
Do que adianta se "topá" com as magrela
Se meu coração é dela
Era bem o que eu queria
Não te preocupa com bobagem de regime
Pois ser fofa não é crime
Tu é 10 em morfologia !!!!

11 - Só pra me enterte

Letra: Ricardo de Oliveira
Música: Leonardo Pinho

Quem nasceu enforquilhado
Surra até a própria sombra
Não aceita potro maula
Que não se entrega pra doma

Fui criado tipo bicho
Entendendo de mangueira
Domo de olho fechado
Assoviando uma vaneira

Monto até de traz pra frente
Quem quiser paga pra ver
Um "boléu" até acontece
Mas é só pra enterte

Embuçalei um malino
Coisa linda o entrevero
Antes de mostra o serviço
Acendi o meu palheiro

Era coice e rebencaço
Numa tarde mormacenta
Montava puxando o pito
Caia fumaceando as venta

Não preciso de espora
Garrão é feito pra que?
Eu caio de vez em quando
Mas é só pra me enterte

12 - Tá Pro Gramado

Letra: Cristiano Quevedo
Música: Pepeu Gonçalves

TÁ PRO GRAMADO
TÁ PRO GRAMADO
NÃO SEI O QUE FAZ NA SERRA
QUE NÃO QUE ATENDE AS CHAMADA!!!

LIGUEI PRA UMA TIPA ONTEM
ANDAVA CAMPEANDO CARINHO
TINHA CONHECIDO ELA
NA BAILANTA DO FEDINHO
MORENA DE TODA CRINA
DE ABOBÁ OS PASSARINHO
TROCAMO OS TELEFONE
PRA MODE FICA JUNTINHO

O DELA ERA MODERNO
UM RICO DUM APAREIO
CARREGAVA NOS BOLSO
INCLUSIVE NOS ARREIO
PEGAVA COM SOL BEM QUENTE
E TAMBÉM COM TEMPO FEIO
E ELA ATENDIA FACEIRA
TODA CHEIA DE FLOREIO

ELA NÃO LEVOU A SÉRIO
OU ME ACHOU MUITO ABUSADO
NÃO SE AGRADOU DA ESTAMPA
OU JÁ TINHA NAMORADO
EU LIGO ELA NÃO ME ATENDE
ONDE ANDARÁ A MALVADA
SÓ ME DEIXOU UM RECADO
QUE EU NÃO ENTENDO NADA

TÁ PRO GRAMADO
TÁ PRO GRAMADO
NÃO SEI O QUE FAZ NA SERRA
QUE NÃO QUE ATENDE AS CHAMADA!!!

13 - Tocando a Vida por Diante

Letra: Gujo Teixeira
Música: Cristiano Quevedo

TEM VEZES QUE A ALMA ESQUECE
QUE ESSA FORÇA VEM DE TI
QUE EU NÃO SEI COMO PERDI
AS COISAS BOAS QUE EU TINHA
TALVEZ POR DEIXAR SOZINHA
A VIDA QUE ANDAVA INQUIETA

TANTAS GUITARRAS SONARAM
MANDANDO A ILUSÃO EMBORA
E A LEMBRANÇA LÁ DE FORA
AINDA TOCA O MEU PEITO
ME PEGANDO AS VEZ DE JEITO
COM AS CORDAS PONTEANDO OS DEDOS

NEM SEMPRE HOMEM NÃO CHORA
QUERO VER SE POR SAUDADE
QUANDO A AUSÊNCIA DA VONTADE
SE TROCAR POR PRECISÃO
QUERO VER SE A SOLIDÃO
FICAR NO GOSTO DO MATE

PARECE ATÉ QUE FOI ONTEM
QUEM SABE É BEM MAIS ANTIGO
AQUELE ADEUS AOS AMIGOS
QUE DE LONGE SE ACENOU
E A DISTÂNCIA QUE FICOU
OS OLHOS LINDOS DE ALGUÉM

TEM VEZES QUE FICA PRESA
AQUELA MÁGOA QUE É POUCA
E DEIXA MORRER NA BOCA
UM VERÇO QUE NÃO SE DISSE
COMO SE A ALMA PEDISSE
QUE AGENTE VOLTASSE LOGO

TOCANDO A VIDA POR DIANTE
NO MÁS EU PASSO MEUS DIAS
ENTRE GUITARRA E POESIA
SAUDOSO DA MINHA GENTE
POR QUE SAUDADE SE SENTE
DAQUILO QUE MAIS SE GOSTA

14 - Um canto à égua madrinha

Letra: Nelson Souza
Música: Leonardo Pinho

Se levanta a polvadera
No horizonte distante
E o" sudor" da cavalhada
Se mescla ao sabor do mate
Relinchos em sintonia
Com os acordes da alvorada
E o tropel em mi menor
Faz costado pra guitarra

Retumba na alma o bater de cascos
Ouvindo o compasso pra clarear o dia
Uma sinfonia ao gosto campeiro
Com o ronco do amargo se faz melodia

Orgulho do pampa tropilha buenaça
Sai fazendo graça o sincerro encaminha
Relinchos, bufidos e um soltar de patas
Vai ponteando a trote a égua madrinha

Enquanto o chão extremece um sapucay
Que adormece
Se levanta abrindo o peito e se agranda
Dito e feito
Indo de encontro à tropilha destapando estas coxilhas
Como se fosse uma prece

Pechando os encontros em ancas molhadas
Nem viram aguadas cortando os caminhos
Pois não vão sozinhos vão em debanda
E a noite se agranda, negaciando os carinhos

Enquanto o chão extremece um sapucay...

Aqui és tu quem manda Tchê!!!!

Caso estejas "meio apertado dos pilas", não tem problema... Vais poder adquirir o disco virtual pelo menor valor possível... Mas se estiveres mais "folgado nos cobres", abre a guaiaca e apoie a cultura gaúcha!!!

Escolhe o valor e faz o download do CD... É super seguro .... É super legal!!!

Conto contigo para fortalecer o nosso som!!!

Muito obrigado desde já!!!

Pepeu Gonçalves e Equipe Jeitão de Gaúcho.

 

Com a Alma Aquerenciada nos Campos

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Em 2002 surge a ideia do 1° trabalho:
"Com a Alma Aquerenciada nos Campos", trabalho este divulgado por todo o estado em 2003. Um disco produzido de maneira independente e gravado no Estúdio Fábrica de Sonhos na cidade de Canela - RS.

01 - Aos Cavalos da Serra

Essa chuva de verão
Que cai no lombo da terra
Que molha os campos dobrados
Que mata a sede do meu pingo crioulo
Que corcoveia
Nesta pintura chamada serra

O Rio Grande vai subir
Arrebentando as porteiras
O Rio Grande quer sorrir
Com cavalos da marca gaúcha, cavalos de estouro
É crioulo
Nesta pintura chamada serra

Enquanto houver um gaúcho
De bota bombacha bem pilchado
Cruzando os campos dobrados
De a cavalo lá na Serra

02 - Aos Que Têm Alma de Campo

Letra: Felipe Araújo
Música: Pepeu Gonçalves

O tempo é Bueno, a vida é tranqüila
O gado ta gordo e é tempo de esquila
O mouro ta manso pro andar das crianças
A lida é bruta, mas nunca me cansa
Carrego na alma orgulho daqueles
Que fizeram estâncias pra vida da gente
Lidando em seus baios, gateados e mouros,
Rosilhos de estouro, plantando a semente

O dia começa a estância acorda
É tempo de lida, de banho e esquila
A peonada ta pronta o sal ta na mala
Pra invernada de cima
O Silvano e o Ferpa se vão pra este lado
Sem deixar nenhum pois tem gado bichado
O Florêncio olha o fundo, O José o outro lado
Eu vou por aqui com o tio Luis no costado

Carrego em meus sonhos e peço a Deus
Por dias campeiros na vida dos meus
Que cuidem o campo, o gado e os potros
Regalo pra vida, herança dos outros
Genuínos avós, que deixaram pra nós
Um Rio Grande de herança e uma pátria nos bastos
Os arreios plateados e um semblante de campo
Uma vista na tropa e uma crença nos santos

A noite acampa, a estância adormece
A tropa descansa, só alua aparece
A peonada que charla de prosa faz verso
Contando pegadas da lida do dia
Só de gaita e violão as canções vão brotando
Pra alma daqueles que fizeram campos
É a sina da gente que vive pra fora
E tem alma de campo

03 - Com tempo feio lá fora

Quando o tempo se arma na Serra
Escondendo o topo do cerro
Uma garoa galopeada
Só pra encharcar os pelegos
Pra quem reponta o gado
A boca não é boa meu parceiro
Vento batendo de frente
Laço apresilhado nos tentos
E um refugo se apartando
Pros meus descontentamentos

Essa é a vida lá fora
Essa é a vida que eu levo
Encarando tempo feio
Mesmo assim nunca me entrego
Laçando de toda corda
Gineteando ferro e ferro

Pode amanhecer chovendo
Trago as vacas pro potreiro
Numa tiração de leite
E o guachedo num berreiro
Passando os dias do agosto
A castração vem primeiro
Pealando só de "cucharra"
Bago assando no brasedo
Nalgum terneiro mais forte
A gineteada é um brinquedo

Essa é a vida lá fora...

Por mais judiada que seja
A vida de peão campeiro
Se fazendo o que gosta
Nunca bate o desespero
Numa lida de mangueira
Se chover deixa que chova
Embarrado até o joelho
Dando risada à toa
Agarrado num terneiro
"OiGalê" vida bem boa

Essa é a vida lá fora...

04 - Contando a Tropa

Letra: Felipe Araújo
Música: Pepeu Gonçalves

Se vão dez dias que eu lido com esta tropa
Em trote manso empurrando ao parador
A chuva encharca o meu poncho e o meu chapéu
E o meu cusco vai firme no fiador
Lá na culatra venho eu na minha gateada
Puxando aponta Tio Juvêncio estende um grito
Que chama o gado e neste tranco a tropa atende
No êra boi e venha boi a gente aprende

Pois volta e meia a gateada estende o olhar
De orelha alerta avista a estância no luar
A chuva pára e o assobio sai mais tranqüilo
Contei o gado e ta bem certo pra entregar

Um boi tenteia e o cusco oveiro chega junto
Fiel parceiro nesta lida de tropear
Gruda o garrão e o brasino pega o rumo
Bamo gateada mete os peito e faz volta
A tropa segue e vai chegar dali tres dias
Vaca de cria, boi criado, terneiro novo
Pra quem tem alma de a cavalo a vida é linda
O tranco é bueno e esta é a lida do meu povo

Pois volta e meia a gateada estende o olhar...

05 - Grito Forte

Num grito forte lá detrás do cerro
Onde a gadaria perto do rodeio
Vai remoendo o pasto de um jeito matreiro
E um quero-quero alerta grita como "lôco"
Um grito forte num capão de mato
De um zebu alçado, do pelo brasino e do lombo osco

Num grito forte no fim da invernada
Onde de a cavalo vem a peonada
Que pata e pata reculuta a eguada
No fim do dia que morreu sestroso
Num grito forte ao chegar nas casa
O pingo entonado, a alma nos tentos e um jeito garboso

Num grito forte de dizer pros "otros"
Que a gente é assim oigalê mas que tal
Num grito de cantar pros "otros"
Que o Rio Grande Velho é imortal é bagual

06 - Mágoas de um campeiro só

Numa tarde de inverno, era água que Deus mandava
O campo encharcado, o lombo molhado
E o peito inchado dos desenganos
De quando em vez algum paisano
Me orelhava em pensamentos
E os meus arrependimentos
Seguiam me maltratando

Êra vida ingrata,
Mágoas de um campeiro só

Nem sempre depois da tormenta, chega logo a bonanza
Quando o arrozal se termina
Quase sempre o tombo é certo
O longe nunca foi perto
E é assim que sigo solito
Ao tranco bem despacito
Num mundo só meu mas deserto

Êra vida ingrata...

Não é bueno viver com tristezas e quem vive me entende
Olhar meu galpão já despido
Sem os olhares da prenda
Peço à sorte que me entenda
E me ajude até o fim do inverno
Pra que não me apodreça o cerno
Traga de volta a minha prenda

Êra vida ingrata ...

07 - Metendo a Doma

Foi numa estância gaúcha, bem lá no topo da serra
Que um moreno fronteriço, cru de ginete e campeiro
Saiu metendo uma doma, num animal muy estranho
Meio macho meio fêmea, égua filha da morena
Estreita e de pouco tamanho

Metendo a doma lá na serra
Vem um índio da fronteira
Te agarra bem no lombilho
E ata só na soitera

Quando troxeram do campo, aquela coisa franzina
Foi motivo de risada, pois não tinha visto ainda
Égua com jeito de macho, e massaroca na clina
Guinchava feito cuiudo, e eu sem saber de tudo
Disse doma esta rosilha

Metendo a doma...

Depois de encerrar o matungo, e encher o bucho de bóia
Aos poucos foi se endireitando, ficou que era flor de tropa
Disseram puxa pra fora, "bamo" mete esta doma
E já no tirar da cocheira, a égua era cru de matreira
E deu serviço pra uns quantos

Metendo a doma...

Já de rendilha na boca, e com o basto sobre o lombo
Os companheiro agarrando, e a égua fazendo estrondo
Pula o Macedo pra cima, e o bicho salta pegando
Só se via a "lo largo", debaixo da cola um cabo
E o moreno enganchando

Metendo a doma...

Hoje a égua ta domada, buenacha barbaridade
Laçando e trompando boi, com os órgão pela metade
Um buraco e um caroço, bem por debaixo da cola
Rufiando a eguada, e quem olha ainda fala
Eta égua Meia-Boca

Metendo a doma...

08 - Numa cruzada de campo

Numa cruzada de campo, boto o pingo na estrada
Um sombrero de aba larga, me defendia do vento
No meu acompanhamento um fronteiriço também vai
Volta e meia um "sapucay"
Pra apurar o trote lento

Com a égua de a cabresto, cruzando cerca e banhado
O potrilho do meu lado, se assustava com o tormento
"Ala maula" mas que tempo, já não se via mais nada
Só a égua relinchava
Em sinfonia com o vento

Uma gateada rosilha, coiceira e sotretona
Mordedeira, redomona, flor de arisca e matreira
Mas ainda era faceira, crioula pura e lindaça
Fazendo alguma arruaça
Querendo chegar primeiro

Num Grito, Êra cavalo
Puxa esta égua parceiro
Temos que voltar ligeiro
Pro patrão não complicar
Larga a égua na mangueira
Se quiser pode amarrar
Depois de botar em cria
Leva pro lado de lá

09 - Pra Quem sonha bonito

Queria viver o sonho de ter um ranchito pra mim
Plantar e colher no verde dos campos cavalos de estouro
De pata parada olhando a eguada e cantando pros meus
Que a vida não espera e quem dorme em tapera sempre diz adeus

Um rancho singelo mas mesmo assim belo pras "cosas" que eu quero
Um gateado Bueno, no campo o sereno e a prenda nos braços
Mateando bem cedo, olhando pro cerro onde a tropa se junta
Campeio este sonho que embora medonho me manda ir a luta

Se a vida é um sonho
Sonhar é preciso
No sonho da vida, lá na despedida
Quero estar contigo
Sonhar enobrece
Não precisa ser dono
Quem sonha bonito, logo a despacito
Realiza o sonho

10 - Talvez me sobre um Cavalo

Letra: Marcelo Carvalho
Música: Rafael Simioni

Escuto a cambona chiar, ao pé do fogo de chão
Preparo meu chimarrão, pra ganhar o fim da tarde
Concedo à mim a verdade, no calor deste braseiro
Porque quando estou solito, meu mate é o meu parceiro
Estendo a vista na várzea e no verde das pastagens
Contemplo estas paisagens, que alambram meus caminhos
De onde quebro os espinhos e retiro ensinamentos
Onde purgo meus tormentos de viver em desatinos

Talvez me sobre um cavalo num futuro que aproxima
Pois faz parte da minha sina esta lida de peão
No lombo passo o xergão pra depois de estar domada
Deixar a alma acolherada na altivez do meu galpão

Me vem a doce lembrança, que atiça os meus desejos
Daquela que com seus beijos, cobriu-me de ternura
Fazia bela figura, com seu jeito de princesa
Mas deixou-me na incerteza, por pensar ser aventura
Hoje repasso os planos, a cada romper de aurora
Depois rumo campo à fora, pra espantar a solidão
Disparo numa coxilha, pra sentir o vento na cara
E esta pampa é quem ampara e aquieta meu coração

Talvez me sobre um cavalo...

11 - Velho Tropeiro

Os tropeiros da Amizade

Meu velho pingo já está cansado
Dos velhos tempos de lidar com gado
Aquele pala que foi minha coberta
Hoje só resta num canto guardado
E quando eu olho pra aquele arreio
Vejo meu laço velho arrebentado
Tudo é lembrança de muitas proezas
Deste que agora vive dominado

Quem me domina é uma saudade
Que há muito tempo vem me maltratando
Sei que não posso mais voltar pra lida
E pouco a pouco vou me conformando
Sinto meu corpo já envelhecido
Vejo meu rosto velho enrrugado
Mas não receio de pegar no chifre
De um boi alçado e jogar deitado

Sinto saudades de tropear nos pagos
Pousar na estrada perto de um capão
Ver um churrasco em cima do braseiro
Olhar a cuia andar de mão em mão
Pego no pinho e canto uma toada
Até parece que tudo é um sonho
E este sonho eu lembrarei até morrer

Do Nosso Jeito

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Em meados de 2004 surge novamente a idéia e a necessidade de cantar um canto novo. Numa parceria com o músico e amigo Nolasco Espindola, surge então o álbum, "Do nosso jeito", Um trabalho independente que contou com a participação de ícones do gauchismo como Dante Ledesma, Dorotéo Fagundes e Paulinho Mixaria.

100% Gaúcho

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O 3° trabalho de Pepeu Gonçalves, o álbum 100% GAÚCHO, lançado pela gravadora USA Discos, conta com a participação especial de Dante Ramon Ledesma e Marcello Caminha, que musicou o poema O AUTO - RETRATO do imortal poeta gaúcho MARIO QUINTANA.

01 - Alma de Bicho

(PAULINHO MIXARIA/PEPEU GONÇALVES)

O BUGIO QUANDO RONCA
ELE TEM NOVIDADE
TRAZ NOTÍCIA DO MATO
PRA QUEM É DA CIDADE

O BUGIO FOI CHEGANDO NO VELHO BOLICHO
ONDE GENTE E BICHOS SE TRATAM IGUAIS
RECANTO DA PAZ QUE O HOMEM RESPEITA
HARMONIA PERFEITA COM OS ANIMAIS

ELE DISSE RONCANDO QUIE A MÃE NATUREZA
FEZ UMA BELEZA EM NOSSOS PINHEIRAIS
PINHÃO TEM DEMAIS PRA MATAR A FOME
E PRA SEDE DO HOMEM AUMENTOU OS MANANCIAIS
ELE DISSE TAMBÉM QUE LÁ TEM NÓ DE PINHO
TEM GALHO SEQUINHO PRA QUEIMAR NO FRIO
TEM PEIXE NO RIO E TEM FRUTA EM QUANTIA
E PRA NOSSA ALEGRIA LÁ RONCA O BUGIO

O BUGIO FOI RONCANDO E DIZENDO FACEIRO
TEM MAIS UM HERDEIRO COM A DONA BUGIA
DE TANTA ALEGRIA NÃO SAI MAIS DE CASA
NA VOLTA DAS BRASA CUIDANDO DA CRIA
O BUGIO PERGUNTOU E DAQUI DA CIDADE???
QUAIS AS NOVIDADES TU TEM PRA DIZER?
NÃO QUIS RESPONDER POIS NÃO TEMOS FUTURO
E UM BICHO TÃO PURO NÃO TEM QUE SABER

VAI PRO MATO BUGIO
NÃO VEM MAIS PRO BOLICHO
POIS OS HOMENS NÃO TEM
TUA ALMA DE BICHO

02 - Aos Campeiros da Lagoa

(Pepeu Gonçalves)

Lá na quietude do rancho
Sem ter ninguém pra prosear
Só me resta recordar
A brabesa da lagoa
A chuva de três ontonte
Deixou as águas aflitas
Oigalê coisa esquisita
Que acontece aqui no Sul
Em dia de temporal
O pescador vai domando
A canoa que com as ondas
Se arrasta corcoveando
Enquanto do outro lado
Numa planura varzeal
Um campeiro de à cavalo
Chega puxando um bagual

Os campeiros do Rio Grande
Que vivem lá na lagoa
Quebrando queixo de potro
Ou tarrafeando de conoa
Dentro d'água ou de à cavalo
Cada qual com seu destino
Bela Lagoa dos Patos
Rincão de puro gauchismo

Olha a pesca da tainha
Olha o reponte do gado
Olha o marreco entonado
Lá no meio do arrozal
Olha o baio rubicano
Crioulo da marca grande
Olha que rico semblante
Dos campeiros regionais
Quem conhece a região Sul
De pronto logo confirma
Lá se vive a mesma lida
Desde os tempos de primeiro
Carne "buena", mate quente
Tchê que tal vai um pescado
De canoa ou de à cavalo
Gaúchos eternamente

Os campeiros do Rio Grande...

03 - Aos Cavalos da Serra

(Pepeu Gonçalves)

Essa chuva de verão
Que cai no lombo da terra
Que molha os campos dobrados
Que mata a sede do meu pingo crioulo
Que corcoveia
Nesta pintura chamada serra

O Rio Grande vai subir
Arrebentando as porteiras
O Rio Grande quer sorrir
Com cavalos da marca gaúcha, cavalos de estouro
É crioulo
Nesta pintura chamada serra

Enquanto houver um gaúcho
De bota bombacha bem pilchado
Cruzando os campos dobrados
De a cavalo lá na Serra

04 - Baile de Ramada

(Pepeu Gonçalves)

VOU CONTAR A HISTÓRIA
DE UM BAILE CAMPEIRO DE ANTIGAMENTE
ERA UMA ENCRUZILHADA, TINHA UM RANCHO NA FRENTE
UMA TAIPA DE PEDRA
DO LADO A CANCELA JÁ DEPENDURADA
ENCHARCADOS NA CANHA, O POVO DAVA RISADA
O PORTEIRO BORRACHO
FAZENDO FIASCO E COM O PALA EM TIRA
NEM TAVA AÍ PRA PELEIA, E A ABANAVA PRAS GURIA
FOI QUANDO O DONO DA CASA
PRENDEU-LHE UM GRITO E PEDIU ATENÇÃO
PARA ENTRAR NA RAMADA, "HAY QUE TER INDUCAÇÃO"

BAILE BUENO, NA RAMADA
ONDE O POVO SE ASSANHA
COM A GUAMPA DE CANHA
POR BAIXO DO PALA

BAILE BUENO, NA RAMADA
A GENTE SE APAIXONA
PELAS QUERENDONAS
LÁ DA ENCRUZILHADA

NESSE BAILE CAMPEIRO
É QUE ME APAIXONEI PELA FILHA DO LÍCIO
BOTA NEGA AJEITADA, E ENTENDIA DO OFÍCIO
DE DANÇAR E SORRIR
ME FAZENDO APRENDIZ PELOS CANTOS DA SALA
IGUAL COBRA MAL MATADA, FAZENDO BEM O SERVIÇO
E NAQUELE EMBALO
O GAITEIRO EMPOLGADO, CHAMANDO A ATENÇÃO
PEDIU QUE O POVO DANÇASSE, BATENDO COM O PÉ NO CHÃO
E EU JÁ BEM EMPOLGADO
MAL INTENSIONADO IGUAL A LEITE AZEDO
MANDEI PARAR COM O GRITEDO, E ME ESPRAIEI NO SALÃO

BAILE BUENO, NA RAMADA...

05 - Com tempo feio lá fora

(Pepeu Gonçalves)

Quando o tempo se arma na Serra
Escondendo o topo do cerro
Uma garoa galopeada
Só pra encharcar os pelegos
Pra quem reponta o gado
A boca não é boa meu parceiro
Vento batendo de frente
Laço apresilhado nos tentos
E um refugo se apartando
Pros meus descontentamentos

Essa é a vida lá fora
Essa é a vida que eu levo
Encarando tempo feio
Mesmo assim nunca me entrego
Laçando de toda corda
Gineteando ferro e ferro

Pode amanhecer chovendo
Trago as vacas pro potreiro
Numa tiração de leite
E o guachedo num berreiro
Passando os dias do agosto
A castração vem primeiro
Pealando só de "cucharra"
Bago assando no brasedo
Nalgum terneiro mais forte
A gineteada é um brinquedo

Essa é a vida lá fora...

Por mais judiada que seja
A vida de peão campeiro
Se fazendo o que gosta
Nunca bate o desespero
Numa lida de mangueira
Se chover deixa que chova
Embarrado até o joelho
Dando risada à toa
Agarrado num terneiro
"OiGalê" vida bem boa

Essa é a vida lá fora...

06 - De Frio e Lida

(Felipe Araújo / Pepeu Gonçalves)

"A copa dos pinheiros se pára feito postal
No lombo dos animal já começa forma geada
O vento da Serra sapecou até as vassoura
E o relincho da égua moura prenunciou noite gelada"

A geada chegou branqueando o lombo da grota
De quebra bico de bota empurrando boi na culatra
O vento minuano maltrata a alma de um campeiro
O gado troteia no gelo e a terneirada manda pata

Na volta da recolhida no compasso de espora e relho
Um poncho carnal vermelho e uma boina bem ajeitada
Reculutando a manada, costeando a volta do morro
Um frio de renguia cachorro e de quebra telha das casa

No tranco manso do gateado que me leva
E a cachorrada prá campeá algum teimoso
Parar rodeio e tirar num trote largo
Rumo das casa prá banha e marca terneiro

Lida de campo, geada grande, tempo feio
No campo vasto campeando o rastro da gadaria
Vacas de cria num berrero entreverados
Lá no banhado a sapaiada de aporfia.

07 - De Volta pras casa

(Pepeu Gonçalves)
Foi numa noite bem clara
A crescente se enchendo
E o meu peito já ardendo
De tanta canha e fumaça
Desgraçada a tal cachaça
Quase me estraviou do rumo
O meu gateado lobuno
Camperaço e pechador
Tava igualzito a um tenor
Rinchando que nem cuiúdo

E assim enforquilhado
Sai pro lado das casa
Meu gateado de anca larga
Tam bem saiu conversando
Dando guincho reclamando
Como a dizer demoraste
Coisa linda é o contraste
Quando a gente anda de fogo
Voltar cru agora do povo
E dormir solito num catre

Quando cruzei a cancela
Depois de cair uns dois tombo
Me equilibrei já no lombo
Do meu pingo orelha alerta
Quando mirei uma seta
Que do céu grande "bajo"
O gateado se alinho
E já sai com o laço armado
Com o vento no costado
Abanando o tirador

A toda pata me fui
Botando força no braço
Oigalê baita sogaço
Virou de ponta a prateada
Nisso alvorotei a eguada
Já vinham me atropelando
E eu logo fui me aplumando
Pra pealar a tal da lua
Égua da marca charrua
Que vinha só me cuidando

Esta é a volta pras casa
Destes que vão por ai
Bebendo aqui e ali
Fazendo só gauchada
Depois de uma cachaçada
Laçando estrelas cadentes
Caindo pelas vertentes
Pealando a lua bonita
Se agranda e do nada grita
Isto é Rio Grande minha gente

08 - No rastro do teu Olhar

(Pepeu Gonçalves)

Estes gaúchos
De alma tumbeira e coração cigano
Que falam no olhar
E entendem da vida
Por andar campeando o destino afora solto a galopar
A fome ensina a comer
A dor ensina a chorar,
Faz parte da lida conhecer o tombo
Pois que não caiu, não sabe montar
E quem não viveu, não sabe sonhar

Mesmo, sendo vaqueano,
Me perdi no atalho
Do teu lindo olhar

09 - Numa cruzada de campo

(Pepeu Gonçalves)

Numa cruzada de campo, boto o pingo na estrada
Um sombrero de aba larga, me defendia do vento
No meu acompanhamento um fronteiriço também vai
Volta e meia um "sapucay"
Pra apurar o trote lento

Com a égua de a cabresto, cruzando cerca e banhado
O potrilho do meu lado, se assustava com o tormento
"Ala maula" mas que tempo, já não se via mais nada
Só a égua relinchava
Em sinfonia com o vento

Uma gateada rosilha, coiceira e sotretona
Mordedeira, redomona, flor de arisca e matreira
Mas ainda era faceira, crioula pura e lindaça
Fazendo alguma arruaça
Querendo chegar primeiro

Num Grito, Êra cavalo
Puxa esta égua parceiro
Temos que voltar ligeiro
Pro patrão não complicar
Larga a égua na mangueira
Se quiser pode amarrar
Depois de botar em cria
Leva pro lado de lá

10 - Pra Quem sonha bonito

(Pepeu Gonçalves)

Queria viver o sonho de ter um ranchito pra mim
Plantar e colher no verde dos campos cavalos de estouro
De pata parada olhando a eguada e cantando pros meus
Que a vida não espera e quem dorme em tapera sempre diz adeus

Um rancho singelo mas mesmo assim belo pras "cosas" que eu quero
Um gateado Bueno, no campo o sereno e a prenda nos braços
Mateando bem cedo, olhando pro cerro onde a tropa se junta
Campeio este sonho que embora medonho me manda ir a luta

Se a vida é um sonho
Sonhar é preciso
No sonho da vida, lá na despedida
Quero estar contigo
Sonhar enobrece
Não precisa ser dono
Quem sonha bonito, logo a despacito
Realiza o sonho

Atracando no Más

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Em 2011 lança o seu 4º trabalho pela Gravadora Vertical, o álbum ? Atracando no Más? com as participações especiais de Marcello Caminha, Érlon Péricles e Oscar Soares. Este disco traz grandes obras, como por exemplo o tema BARBEARIA DE CAMPANHA (Binho Pires e Érlon Pericles ), um xote divertido e autêntico, que se tornou indispensável no repertório dos bailes e festas gaúchas do Sul do Brasil.

01 - Barbearia de Campanha

Binho Pires e Érlon Péricles
Xotes

Logo que chega a crescente
O oficial competente
Vai se enchendo de alegria
Ceva uma mate topetudo
E espera os melenudos
Pra afeitar a freguesia

Num estilo bem vaqueano
Vai recebendo os paisanos
Na porta da barbearia

O corte é sempre igual
Pois cabeça de bagual
Não precisa de vaidade
Usa "o meia cabeleira"*
Que agrada as estancieiras
E as moças da cidade

"O Barbeiro Zé Trajano
Dia a dia, ano a ano
Se defende como pode..."
Barbeando o Dr. Assis
Cortou a ponta do nariz
Pra emparelhar o bigode

Barbearia de campanha
Marca antiga e tradição
O serviço é macanudo
Ajeitando os tabacudo
Para os bailes do rincão

A navalha cortadeira
Chega juntar varejeira
De tanto sangue coalhado
Aparando as costeletas
Deu um taio na bochecha
Do filho do delegado

Por isso não se assustemo!
...é bom pra sair o veneno!
...volte sempre! Obrigado...

"Vendo couro e vendo lã"
"Fiado é só amanhã"
Assinado: a gerência...
A plaqueta no espelho
Pendurada junto ao relho
Agradece a preferência

Nunca falta um guaipeca
E um vadio lambendo "séca"
Até a hora de fechar...
Depois de passar a vassoura
Da uma afiada na tesoura
Pra amanhã recomeçar

02 - Cruza com Bagaceira

Érlon Péricles
Chamamé

- Gosto de arrasta as esporas com uma chinoca faceira,
num entrevero de truco eu sempre canto a "primeira"...
Eu ando bem a cavalo de riso largo e estampa campeira,
o que me estraga um pouquinho é essa mi'a "cruza com bagacera!"

Atraco numa bailanta, neste meu tranco bem de fronteira
Sou bom no "cabo da dança" e aperto firme as namoradeira...
De pronto já dá "cochicho" pois nunca falta uma fofoqueira:
- Não dá conversa mi'a fia, porque isso é loco de bagacera!

MAS OIGALE-TE PORQUERA...
MAS OIGALE-TE PORQUERA!
- NÃO DÁ CONVERSA MI'A FIA,
PORQUE ISSO É LOCO DE BAGACERA!

Criado na judiaria desde guri correndo carreira,
aposto até o que não tenho porque sou loco de calavera.
Campeão de jogo de truco, sou mentiroso e sou mão ligeira
numa carpeta gaúcha eu conheço a manha dos bagacera.

MAS OIGALE-TE PORQUERA...
MAS OIGALE-TE PORQUERA!
NUMA CARPETA GAÚCHA
EU CONHEÇO A MANHA DOS BAGACERA!

Meu baio santa na frente quando escramuça levanta poeira,
Seja no de tiro de laço ou na gineteada eu forro a gibeira.
Eu sou loco de exibido, de estribo firme, armada certeira...
sempre tem alguém que grita: - mas que tipinho bem bagacera!

MAS OIGALE-TE PORQUERA...
MAS OIGALE-TE PORQUERA!
SEMPRE TEM ALGUÉM QUE GRITA:
- MAS QUE TIPINHO BEM BAGACERA!

Volta e meia me emborracho e atraco forte na bebedeira
Quem bebe fica bem macho e fica mais fácil fazer besteira...
A minha origem não nega que eu sou de gente bem caborteira
Quem anda fazendo fiasco tem que te cruza com bagacera!

MAS OIGALE-TE PORQUERA...
MAS OIGALE-TE PORQUERA!
QUEM ANDA FAZENDO FIASCO
TEM QUE TE CRUZA COM BAGACERA!

03 - Nestes Bailes de Gaúcho

Felipe Amaral e Eduardo Perdomo
Rancheira Valseada

Num tranco veio
Destes de buscar parteira
Fandangueio a noite inteira
Vou pronto pro que vier

Já na chegada
A mais feia se acanha
Na campanha graxa é banha
Vou lhe dar o que ela quer

E de faceiro
As mais novas pego a kilo
E ate veia de azilo
Eu chamo de bem me quer

Que nem cuiudo
Quando ta encilhado
Deixo os arreios de lado
E faço o que eu puder

E se consigo , eu já me sinto no luxo
Nestes baile de gaúcho, ser o rei das mulher

Quando ta fraco
Porque faltou o gaiteiro
Já me ajeito no entrevero
E toco ate com algum talher

Das mãe solteira
Sou marido nestes baile
E de baixo dos seus xales
Faço que ela quiser

04 - Onde Tu Anda?

Paulinho Mixaria e Pepeu Gonçalves
Xotes

Onde tu anda,minha guriazinha
Tu prometeu que vinha
na hora do chimarrão.
Há muitas cuias eu te espero nesta mágoa,
com a barriga cheia dágua
de matear na solidão.

O meu ranchinho tá tapado de poeira,
tem coruja na "comieira",
deu gambá no galinheiro.
A cachorrada vive uivando pra lua,
e eu garrado nesta cuia
chimarreando o dia inteiro.

Onde tu anda minha guriazinha...(ESTRIBILHO)

O chimarrão que eu te fiz já tá lavado,
os bolo frito embolorado,
a rapadura umedeceu...
Lá na chaleira já tem mosquito da dengue,
bateu rato nos merengue
e você não apareceu.

05 - Atracando no más

Érlon Péricles
Chamamé

Boto na forma o coração,
dando risada,
me agrada bem mais o sorriso
e a patacuada..
Deixo que a mágoa se achegue
mostre o lamento,
só pra dar rédea pro sonho...
e pro sentimento.

Eu ando pela querência,
gastando estrada...
Quieto, mateio tranqüilo...
tentiando a vaza.
Ainda que a vida me aperte,
topo a parada,
"atraco no más" meu parceiro,
que não dá nada!

"ATRACA NO MÁS,
ATRACA NO MÁS"
QUE O SONHO NÃO PARA
E NÃO OLHA PRA TRAZ.

Perdido o sonho galopa,
buscando a rima,
anda vagando no pago
correndo china.
Volta e meia uma tristeza...
...sai das retinas,
"atraco no más", meu parceiro
e aprendo com tudo que a vida me ensina.

06 - Carreira de Campo

Érlon Péricles, Pirisca Grecco, Ângelo Franco e Gujo Teixeira
Chacarera

Era uma tarde qualquer
-volta pras casas da lida –
Ia um gateado estendido
Cruzando a várzea estendida
Ia um índio no gateado
No tordilho outro campeiro
Um de pala a meia espalda
Outro de lenço e sombreiro.
Se largaram em paleteio
Que um olhar firma a carreira,
Desde as duas corticeiras
Até o cruzar da porteira.
É a rédea frouxa na mão
Contra uma espora segura.
Quem sabe é por patacoada
Por honra ou por rapadura.

Só sei que bem pareciam
Dois tauras em disparada...
Uma carga de combate
Mas era só carreirada.
Hace tiempo no se via
Uma carreira tão parelha
Era focinho a focinho
Era orelha com orelha.

A várzea ficou pequena
Pra mostrar como se faz
Uma carreira de campo
Saltando barro pra tras.
O gateado mais ligeiro
Que um tirambaço de bala
Cruzou o vão da porteira
Com o índio abanando o pala.
O tordilho outro balaço
Cruzou ligeiro num facho
Chapéu quebrado na aba
Mais firme no barbicacho.
Quem perdeu e quem ganhou
Cruzaram, assim, num repente
Um diz que cruzou primeiro
O outro que ia na frente.

07 - Eu Sou da Serra Tchê

ÉRLON PÉRICLES
Vaneira

Junto aos canteiros de hortênsias
Pelos dezembros de luz,
Eu levo a vida cantando
No sonho que me conduz.

Filho da Vila Jardim...
Fina flor do meu Gramado,
Vim pra revelar pro mundo
A Serra do meu estado.

É neve, é churrasco gordo...
Mate e café colonial.
Nossa gente te recebe...
Num abraço fraternal!

Tem semana farroupilha
Tem baile no CTG,
Tem festival de Cinema
Te aprochega e venha ver!

Eu sou da Serra, tchê!
Bem lá de cima!
Eu sou da Serra, tchê!
Bem lá de cima!
Quando a noite inventa estrelas
Minha terra se ilumina!

08 - Nos Encontros do Crioulo

Zeca Alves e Érlon Péricles
Chamarra

Se vieram pedindo porta, rédea solta num salseiro
Um escora o outro pecha, abrindo o peito estancieiro
Bem antes dos trinta metros, vinha o pampa entre os aperos

Já na primeira porteira, com os pescoços travados
Conduzindo a rês na pista, vinha o mouro e o colorado
E num jeitão bem campeiro, se via os chapéus tapeados

Num paleteio fronteiro, é bem assim que se faz
Reboleando os cola chata, apertando o boi no más
No estouro da retomada, fazendo voltar pra trás

É lindo escutar o berro, e da a volta se estribando
Levar reto onde saiu, ver o povo levantando
Reverenciando tronqueiras, isto é o pago despontando

Quem se templou nos vazedos, com alma e garrão de touro
É o Rio Grande refletido em paleteadas de estouro
Tenho sustento à cavalo, nos encontros do crioulo

09 - Remoendo meu Paiero

Juliano Bolfe
Chamarra

Sou meio louco e quando acordo de manhã
Pito o restonho que sobrou da madrugada
Tomo uma pura relembrando o canhanhã
Das "casinha" que aluga a mulherada
Ontem foi sexta hoje tem baile e eu vou também
Lá pela terça é que eu penso em trabalhar
Eu sou peão mas quando o pagamento vem
Eu faço festa não me importo de gastar

Traga esta canha, não se acanhe bolicheiro
Que hoje tem baile e eu me meto no entrevero
Enquanto isso vou remoendo meu paiero
Sou meio louco e quando bebo um louco inteiro

Logo mais encilho o baio e vou domando
Ele é maroto e ta com duas encilhadas
Não tenho medo mas ele ta se borrando
Saio faceiro dando laço pela estrada
Se no caminho ele quiser baixar o toso
Puxo do queixo e dou conta do recado
Rumo ao bolicho ele vai todo cestroso
Pois não tem potro que me tire do socado

Traga esta canha.........

E no bolicho eu fico até o anoitecer
Como uns pastel pra da um reforço no esqueleto
Tomo u ma pura que pra ajudar a descer
Escutando o violão do Chico Preto
E depois disso sigo rumo alguma sanga
Pra mata a sede o meu baio vai de guia
Passo uma água na melena e na carranca
E já to pronto pra bailanta lá nas tia

10 - Baile do Baxinho

Pepeu Gonçalves
Vaneira

Num baile veio, destes de soltar cavaco
Vou achando meu espaço, sou tinhoso e arredio
Eu quero é elas, sejam bonitas ou feias
E se For pra dar peleia, vou " imxemplando" com o fio

Bamo meter, por que tirar já não custa
A gente já nem se assusta, com peleia ou com babagem
Comprei passagem, pro bailão lá do baxinho
E assim degavarzinho vou expondo a minha imagem

Num desatino de achar a mulher certa
Vou ficar com a mais esperta que queira me dar prazer
Não sou bonito mas eu sei que danço bem
Só quero as que me convém pra um pouquinho de lazer

Bamo meter.....

11 - Chamando a Cria

Gujo Teixeira e Marcello Caminha
Milongão

As pampas mugindo grosso
Chamam as crias pra perto
E a terneirada com fome
Anda perdida, isso é certo.
São crias ainda do cedo
E o capataz segue a regra
Umbigo limpo e curado
E capados "na macega".

Se perdem num desatino
Num serviço de mangueira
Enquanto as vacas na volta
Mugem, beirando a porteira.
As outras pampas esperam
Engordam mais, pra em seguida
Lamberem a palha seca
Da cria recém parida.

Hoje o ciclo faz a volta
E a produção se renova
Começa tudo bem cedo
Desde um touro abrindo cova.
Depois se apartam em rodeios
Onde o mais forte comanda
E o tempo nos diz nas luas
Que a natureza é quem manda.

Coisa bem linda de ver
A terneirada em retoço
Em direção da invernada
Já querendo berrar grosso
Disparam beirando o mato
Quando passam na canhada
Não "fazem causo" pros gritos
Tampouco pra cachorrada.

São frutos da primavera
Da serventia dos touros
Tem sangue pampa nas veias
E a cor do sangue no couro.
Caregam nossa certeza
Que o campo terá valia
Enquanto se ouvir de longe
Uma vaca chamando a cria.

12 - Firmando o Garrão

Érlon Péricles
Chamamé

Ponteia esse pinho meu galo
Me faz um costado
Que eu venho judiado
Pedindo licença pra desencilha.
Sovado de estrada, patrício...
Da lida campeira
Cruzando as fronteiras do pago
Neste gauderiar...

O sonho galopa no vento
E o meu sentimento gosta de sonhar
A vida me leva por diante
E cutuca o cavalo só pra judiar.
Agüento o repucho
Procuro uma volta
Que a mágoa é custosa
De se acomodar.

Ahh...tristeza caborteira
Vem tentiando o coração,
Mas um taura da fronteira
Não é de frouxa o garrão!

Mas vamo metendo meu galo
Não da pra para
O sonho me cobra a saudade
Tenho que pagá!
Que coisa gaúcha compadre
Temo que tentia...
Trata com carinho, vai devagarinho,
Que dá pra leva!

13 - Oia Boi, Oia Boiada

Nelson Sartori
Vaneira

Lá vai feliz o tropeiro
Cantando pela estrada

Pelos campos do Rio grande
Ao som de um cincerro
Vai a tropa estrada a fora
E cantando esta canção segue o tropeiro
Oia boi Oia boiada
E a tropa está chegando na charqueada
Oia Boi, Oia boiada
Volto depressa pros braços da minha amada

E assim de pousada em pousada
Volta pro rancho feliz o tropeiro
É madrugada o quero-quero grita
Com esta canção ele desperta o pago inteiro
Oia boi Oia boiada
E a tropa está chegando na charqueada
Oia Boi, Oia boiada
Volto depressa pros braços da minha amada

Regional

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Em 2012, comemorando 10 anos de carreira, lança seu 5º trabalho, o álbum REGIONAL através da Gravadora Vertical. CD Este que conta com a produção musical de Oscar Soares (Oscarzinho dos Mirins) e Revair dos Santos (Reva). Neste trabalho podemos apreciar grandes sucessos como ROSÍO VERMEIO (Elton Saldanha e Tadeu Martins), BÓIA CAMPEIRA (Hique Barboza e Gabriel Selvage) E A FÉ A CAVALO (Felipe Araújo e Pepeu Gonçalves).

01 - A Fé à Cavalo

VERSOS: FELIPE ARAÚJO
MUSICA: PEPEU GONÇALVES

AMANHÃ CHEGA A SANTINHA
NUMA GRUTA DE MADEIRA
VEM DE LÁ DA RAMADINHA
PASSANDO QUATRO PORTEIRAS
TRAZ UM LOTE DE MOEDINHA
QUE A PIAZADA REPONTOU
PRO COFRINHO QUE TEM NELA
MARCA DE VELA...
FÉ QUE RENOVOU.

SÃO PEÕES DE ALMA SIMPLES
COMO SIMPLES OS SEUS RANCHOS
SÃO PATRÕES DE FÉ TÃO PURA
NA GRANDEZA DE SEUS CAMPOS
SÃO PROMESSAS E PEDIDOS
PELA VIDA E PRATO SANTO
SÃO HOMENS AGRADECIDOS
PELA ESPERANÇA...
AJOELHADOS NO MANTO.

PREPARAM-SE OS RANCHOS
E UM ALTAR DE ORAÇÃO
VEM CHEGANDO A ESPERANÇA
NOSSA PAZ E O PERDÃO
ACENDEM-SE AS VELAS
PRA UMA IMAGEM QUE SE VEM
É A FÉ QUE VEM DE À CAVALO
DE À CAVALO COM O BEM.

UM MENINO SAI CORRENDO
E FAZENDO ANUNCIAÇÃO
VEM CHEGANDO A SANTINHA
TRAZER LUZ PARA O RINCÃO
BRAÇOS PRONTOS ESTENDIDOS
JUNTO A CERCA DO GALPÃO
DESTRAMELA A GRUTINHA
SINAL DA CRUZ...
ASSIM PEDE BENÇÃO.

SÃO LÉGUAS DE CAMPO VASTO
NESTES FUNDOS DE INTERIOR
SÃO PEDIDOS DE PERDÃO
NAS PALAVRAS DE LOUVOR
SÃO TRÊS DIAS E ASSIM
LÁ VAI ELA AO CORREDOR
ABENÇOAR OUTRA QUERÊNCIA
NOSSA SENHORA...
LUZ DO SONHADOR.

"DA MINHA FÉ!" JULHO DE 2011.

02 - Bóia Campeira

Letra: Hique Gallo Barboza
Música: Gabriel Selvage

Lidar com bóia campeira
Pra o gaucho é um vício
Não mete a mão, nos "fervido"
Se não entende do ofício

Pra o espinhaço de ovelha
Um jipão de campanha
Panela de ferro preto
Caldo grosso, "que façanha"

Não facilita cumpadre
Por que o charque já vem pronto
Não vai salga o carreteiro
Que senão passa do ponto

Prá parceriá qualquer bóia
Bago de toro enfarofado
Mistura ovo de pato,
E tempero no costado

Prá um assado bem gaucho
É lenha de guamirim
No fogo e no espeto
Churrascaço é assim

Só escuta a lei dos home
Meta canha pra refresco
Pois dizem que cozinheiro
É borracho ou é fresco

O que alegra o cozinheiro
É um grito à toda guela
Raspando o fundo cá faca
"Cagou-se a bóia da Panela"

03 - Domador de Pouca Prosa

LETRA:DIONÍSIO COSTA
MÚSICA:PEPEU GONÇALVES

"ME AGRADA BEIÇUDO LOUCO
QUE SAIA VENDENDO OS "CACO"
DESSES DO TIPO MACACO
QUE TEM DESTREZA PRA OS "PULO"
PRA MIM A VIDA É MAIS LINDA
ABAIXO DE MANOTAÇO
OS "ARISCO" EU CAGO À LAÇO
E OS MAIS "LERDO" EU NÃO ADULO"

CRESCÍ NA COSTA DE UM RIO, NÃO TENHO MEDO DE LONTRA
E ESTE XÚCRO QUE ME ENCONTRA, NÃO VAI DO JEITO QUE VEIO
O DESTINO DO ENDIABRADO, AGORA É POR MINHA CONTA
QUE O MUNDO TROQUE DE PONTA, PORQUE EU DAQUI NÃO APEIO
NO DIA A DIA EU CONSERVO, ESTE MEU JEITO PACATO
MAS NO LOMBO EU VIRO UM GATO E BEIÇUDO NÃO ME DOMINA
NÃO TENHO MEDO DA MORTE, NEM DE FICAR ENTREVADO
POIS SEI QUE TÔ BEM GUARDADO, NA REZA DE ALGUMA CHINA

COMIGO A PROSA É BEM CURTA, POIS NÃO CONHEÇO A ARTIMANHA
DESSES GINETES DA CÃNHA, DOMADORES DE BOLICHO
QUEM TEM A FEIA MANIA, DE FALADOR E MALEVA
O TRATAMENTO QUE LEVA, É O MESMO QUE DOU PRA OS "BICHO"

ME DETERMINO SOLITO, QUANDO A SORTE SE ATRAVESSA
PORQUE EU NÃO FAÇO PROMESSA, PRA SANTO E NEM PRA MULHER
EU SEI QUE O FOGO SE CRIA, CONFORME O TANTO DA LENHA
E A VIDA NÃO SE DESENHA, DO JEITO QUE A GENTE QUER
POR ISSO CONVERSO POUCO, NÃO ANDO PROSEANDO À TÔA
E O QUE NÃO FOR COISA BOA, GARANTO QUE NÃO ME ALCANÇA
COM PAIXÕES E GINETEADAS, TENHO CUIDADO, TE FALO
POIS PRA MULHER E CAVALO, DOU MUITO POUCA CONFIANÇA

04 - Encurtando Lonjuras

Pepeu Gonçalves

Domingo volto à querência
Preciso ver o rancho, a china e o meu piá
Quem me leva é o meu gateado
Que a trote largo se agranda nestas coxilhas
Rédeas compridas batendo no tirador
No pouso de algum andante encilho um mate
Lembrando a prenda querida
Sorvo a doce saudade que em meu peito bate
Parece que o pingo também já sente a distância
E num relincho minguado pede pra descansar
Desencilho, tiro a capa da mala
Que guarda segredo das coisas que eu deixei
Solito só eu e o pingo pra conversar
Parceiro que me acompanha nestas jornadas
Garanto que se falasse também diria
O quanto custa a saudade pra um campeiro

"Bamo" parceiro, mete os encontros
"Bamo"encurtar lonjuras
Apura este trote, já de a galope
Pra logo chegar
Num tranco pachola cantando um chamamé
Assim que chegar lá fora pode descansar

05 - Entre Polvadera e Fumaça

Letra: Silvio Luis
Música: Nelson Souza

Nem bem clareou o dia, um ronco de mate
Um canto de esporas seguido de um "buenos" dias
A cavalhada encilhada, grito de "bamo" moçada
Reculuta a ternerada, que é dia de marcação

Zunido de cinco laços
Enquanto um afia a faca
Um poliango manda pata
Pra um "paisano" soltar o braço
Armada que engole as mãos
Sempre bem endereçada
Como se fosse uma "payada"
Que saiu do coração

Entre polvadera e fumaça, corre Antonio Paraguai
Melhor mão aqui não "hay", pra marcar com ferro em brasa
Neste ritual primitivo, a benzedura é a canha
Que quem é serio se assanha, sem nunca perder o tino

Zunido de cinco laços...

06 - Gineteando no Rodeio

JULIANO BOLFE

PUXA ESSE BICHO PRO PALANQUE
PORQUE EU JÁ TO FERRADO
MAIS UM GOLE DE CACHAÇA
PRA EU SUBIR EMBALADO
VOU FERRAR BEM NA PALETA
E SURRAR DE QUALQUER LADO
A COISA VAI FICAR PRETA
PRA ESTE BAIIO GATEADO

VOCÊS VÃO VER QUE TORA BOA
EU VOU BOTAR NESTE BAIO
SE A CANHA NÃO ME DERRUBA
DESTE CAVALO EU NAÕ CAIO
SE NÃO TEM AMADRINHADOR
NEM QUERO QUE ME SEGUREM
O PRÊMIO DESTE RODEIO
GARANTO JÁ TA NO BULE

JÁ TE PEGO, JÁ TE LARGO
NÃO, NÃO LARGO MEU IRMÃO
NESSA LUTA DE DOIS TAURAS
VAMOS VER QUEM VAI PRO CHÃO
SE SOU EU QUE SOU MATUTO
OU SE ÉS TU QUE É REDOMÃO
EU SOU TAURA, TU ÉS TAURA
VAMOS VER QUEM É O BOM

VOCÊS VÃO VER QUE TORA BOA
EU VOU BOTAR NESTE BAIO

07 - Maragato dos Alpes

LETRA E MÚSICA: PEPEU GONÇALVES E JOÃO SARTUNE

Chegada a nova estação, verdes campos, primavera,
Cavalhada pelechando, na "Por do Sol" cá na serra,
O potrilho colorado, Dom Leco manda apartar,
Se o patrão disser que sim, vamos ver no que vai dar,
Já no primeiro incentivo, foi um destaque de fato,
Veio pra ser vencedor, o cavalo Maragato

O Maragato dos Alpes, Sangue nobre de valentes,
Desde a serra a cordilheira, bem como seus descendentes,
Da prole de Dom Hornero, raça, força e procedência,
O Rio Grande vai saber, a razão da tua existência

Um moreno de Bagé, Seu Davi foi quem domou,
Pra levar até Esteio, e entre os melhores chegou,
Pra ser um pai de Cabanha, e um grande reprodutor
Já se nota nos teus filhos, que o teu sangue tem valor,
Segue em frente Maragato, firme, forte , sem receio
Por certo vamos te ver, entre os melhores no Freio !

O Maragato dos Alpes, Sangue nobre de valentes,
Desde a serra a cordilheira, bem como seus descendentes,
Da prole de Dom Hornero, raça, força e procedência,
O Rio Grande vai saber, a razão da tua existência

08 - Milongaço sem Costeio

Pepeu Gonçalves

Palmeando um fumo com jeito de domador
Madrugadita quando a manhã baixa o toso
Mate lavado prenuncia a hora da lida
De dá um galope num cuiúdo venenoso

Irmão inteiro da Milonga Oriental
Cuiúdo guapo, gateado entroncadaço
De tão sestroso e fazedor de floreio
Não é de valde que chamam Milongaço

Milongaço sem costeio
Flor de arisco e desbocado
Milongaço entonado
Que rejeita maneador
Mesmo lavado em "sudor"
Não se entrega nem por nada
Milongaço de potrada
Que se desdobra em floreios
Milongaço sem costeio

Bicho ventana já ta virado num tigre
Me arrebentou uns três ou quatro maneador
De hoje não passa tu vai conhecer costeio
Vou te deixar doce de boca e pechador

Irmão inteiro da Milonga Oriental
Cuiúdo guapo, gateado entroncadaço
De tão sestroso e fazedor de floreio
Não é de valde que chamam Milongaço

09 - Ressaca Pretenciosa

Letra: Hique Gallo Barboza
Música: Gabriel Selvage

Depois da bruta bobage,
De tomá inté detergente
Acordemos prá lida do dia
Querendo matá um parente

A coisa andava virada,
Doía dentro do caco,
Um sino no cacuruto
O buxo virado num trapo

Não sei quem foi o maldito
Que inventô a tal ressaca, rapaiz
Na boca um "rato morto"
Gorfa e promessa de nunca mais

Sempre metido a gaudério
nunca me quebram o cacho
mas a mardita ressaca
é o contrário do balaço

o que tinha de bueno
na noite da canha morna
ontem, florão de tropa
hoje, uma cadorna

que cama bem desgraçada
pior que uma barcaça
arrodeia, me derrubando
com mares de cachaça

o azedume dos pelegos,
até gambá há de cair
vergonhera desgraçada
dá vontade de sumir

dói do caco inté as venta
sinto o uvo de maçã
vô voltá pros pelego
loco que chegue, amanhã

10 - Rosío Vermeio

Elton Saldanha e Tadeu Martins

O meu rosío vermeio que apelidei de Tetéia
Nasceu com o saci no couro fazendo o arco da véia
Desde novo não tem cosca mas se faz de arreçabiado
Pra ganhar a mão nas viría porque é mal acostumado
Pateia de cola atada e é claro que é por capricho
Me dá dentada traição quando aprisío o rabicho

Rosío vermeio, rosío vermeio
Nós vamos fazê bonito
Nem que nós chame de fêio
Rosío vermeio, rosío vermeio
As moças soltam sospiro
Quando nóis vai pros rodeio

Esse rosío vermeio oreia têsa de fronha
Troteia erguendo as patas, ladeado de sem vergonha
Um dia me faz um fiasco quando perdi minha estica
Me rodiô numa rodada quando eu fui ver umas tipa
Mas quando eu preciso dele é capaz que ele recua
Saltemo num costa abaixo esporeando uma zebua

11 - Trem da Fumaça

Pirisca Grecco

A fumaça do palheiro é um trem
Que me leva aonde eu quiser
Buenos Aires, Nova York, Uruguaiana
Ou outro pago qualquer
Na bagagem um pouquito de dinheiro,
A bombacha e o violão
Pra quem canta, o limite é a garganta
E a bandeira é o coração
Tchau, minha mãe, eu vou partir
Algo me diz que esse é o caminho que eu devo seguir
Manda um beijo pra vó e avisa pro mano:
A gente se vê por aí
E a cortina da fumaça do palheiro
Não me deixa enxergar
Que já ta ficando tarde, perigoso,
Já é hora de voltar
Lá em casa já tem gente preocupada
E com saudades de mim
É o aviso aos passageiros
Que a viagem tá chegando ao seu fim
É, minha mãe, eu vou voltar
Algo me diz que amanhã bem cedinho eu devo chegar
Pede um doce pra vó e avisa pro mano:
Que eu to voltando pra ficar

12 - Um Romance Missioneiro

Letra e música: Pepeu Gonçalves

Num fim de tarde o arrebol se pronunciou,
E no céu estrelas inquietas, somente a lua não anda,
Dois olhos por detrás daquela janela, de um catiguaçu missioneiro
Avistam Marcelo Campeiro, o eterno amor de Joana

A negra órfã, pai e mãe desconhecidos
Poucos amigos, talvez pela timidez,
Ele campeiro do Lajeado da Potranca
Desde a infância se formou na rigidez,
Fazenda Grande lá no Rio Comandai
Foi por ali num veranico de maio
Que Negra Joana e Marcelo o Campeiro
Reconheceram que estavam apaixonados

E foi bem assim, neste palco continentino
Que se esqueceram da dor
Entre a rudeza e a flor, num romance missioneiro
A Negra e o Campeiro, redesenharam o amor

QUE AMOR GAÚCHO ESTE ROMANCE MISSIONEIRO
SENDO O LUZEIRO TESTEMUNHA DESTA UNIÃO
PINTOU-SE UM QUADRO NA ESTAMPA DO CAMPEIRO
E NEGRA JOANA SE ENTREGOU DE CORAÇÃO

E Santo Ângelo Custódio abençoou este namoro
Plantou-se então a semente, ali na terra vermelha,
A Negra, o Campeiro e o mundo, em perfeita sintonia
Transbordando de alegria, numa paixão bem missioneira

Dia clareando, com os corpos orvalhados
Embriagados da paixão que ali se fez
Que coisa linda quando um amor abre asas
O tempo pára e não se tem mais lucidez
Fizeram casa na amplidão daquele campo
Ergueram rancho sob um luar missioneiro
Fizeram amor e sem querer eternizaram
Este romance entre a Negra e o Campeiro

E esta é mais uma estória
Do cenário campechano e sul brasileiro
É mais um amor matreiro desta pátria abençoada
Com cheiro de terra molhada, nasceu este Romance Missioneiro

QUE AMOR GAÚCHO ESTE ROMANCE MISSIONEIRO.........